A lenda do cowboy solitário

Há 86 anos surgia um dos maiores compositores do século XX. Hiram King Williams nasceu (em uma cabana de madeira) na cidade de Garland, estado do Alabama.  Teve uma infância comum até completar 10 anos de idade, brigas na escola, almoços de domingo, confraternizações com os primos: vida de garoto interiorano.

Sua família mudava de cidade frequentemente e, por isso, quando Hiram completou 10 anos de idade, decidiram que o menino iria morar na casa de seus tios. Essa singela mudança de ambiente foi responsável por traçar novas linhas na história da música americana.

Tia Alice tocava guitarra e Tio J.C Mcneil bebia uísque. Ela ensinava-o a tocar guitarra, enquanto Tio Mcneil ensinava-o a beber o malte escocês. O resto está escrito na história. Aos 17 anos de idade pegou o violão de sua tia e se apresentou na frente de uma rádio local. Produtores viram, gostaram, ele ganhou um programa na rádio (15 minutos/2 vezes por semana) e um salário considerado bom para os padrões da época.

Pulamos para o final da década de 30. O programa da rádio ganhou fama e ele resolveu mudar seu nome para Hank, achava que Hiram não funcionaria na indústria musical. Conseguiu juntar dinheiro suficiente para investir em sua própria banda, a Drifting Cowboys.

Com a Drifting Cowboys viajou por alguns estados americanos até 1941. Hank era conhecido como “a voz de um milhão de dólares”, um tipo de celebridade local. Extremamente carismático, caiu rapidamente na graça do povo americano e já emplacava mais de 10 hits na parada de sucessos. Com a segunda guerra fervilhando, todos os integrantes da banda foram convocados para servir o exército e Hank, não. Um problema congênito na coluna o salvou do campo de batalha.

Começou a beber mais que o habitual. As lições do tio Mcneil surtiram efeito.

Nos final dos anos 40 voltou a atingir o topo das paradas americanas. Com os antigos membros da Drifting Cowboys, apresentou-se no programa Grand Ole Opry (famoso programa de rádio americano) e seu nome voltou a aparecer no topo das listas musicais. Hank assinou com a MGM records e emplacou mais alguns pares de hits.

Bebia mais e mais. Foi demitido do programa, os produtores alegavam que seu estado de saúde estava péssimo. Devido ao problema de coluna, Hank também estava viciado em morfina e outros tipos de vitaminas e calmantes.

No início da década de 50, sob o codinome de “The Drifter” lançou diversas músicas religiosas. Tinha medo de não ser aceito como Hank Williams – por isso a troca de nome. Paralelamente emplacava sucessos com suas canções tradicionais – aí sob a alcunha original.

Em 1953, Hank morreu com 29 anos. Iria viajar, mas perdera o avião naquele dia devido a problemas metereológicos. Contratou um chofer para dirigir seu carro e pediu que lhe aplicasse uma injeção de morfina.

Morreu sentado atrás de seu carro, com ele estavam duas latas de cerveja e um manuscrito de uma composição inédita.

Sentimos falta da singeleza dos versos de Hank nos tempos de hoje. Vivemos em um mundo sintético e barulhento, artificial. Escutamos barulho no trânsito, no trabalho, nas rádios, na televisão. Hank foi um poeta moderno, cantou os dilemas da vida como poucos fizeram. Sofreu – também – como poucos.

Conseguimos sentir cada tonelada que ele carregava nas costas quando nos deparamos com uma canção como essa:

Take these chains from my heart

“Take these chains from my heart and set me free
You’ve grown cold and no longer care for me
All my faith in you is gone but the heartaches linger on
Take these chains from my heart and set me free

Take these tears from my eyes and let me see
Just a spark of the love that used to be
If you love somebody new let me find a new love too
Take these chains from my heart and set me free

Give my heart just a word of sympathy
Be as fair to my heart as you can be
Then if you no longer care
For the love that’s beating there
Take these chains from my heart and set me free

Take these chains from my heart and set me free
You’ve grown cold and no longer care for me
All my faith in you is gone but the heartaches linger on
Take these chains from my heart and set me free.


Hank Williams


Escutem Hank Williams, pesquisem Hank Williams, vivam Hank Williams. Será que não é hora de rever as fontes e cantar algo novo?


Postado por hpompermaier para Folklore

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